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25 de Novembro: combater a violência e os retrocessos!

23.11.17 Geral, Notícias

O dia 25 de Novembro é um dia internacional de combate à violência contra as mulheres. Este dia foi instituído pela ONU, porque a violência contra a mulher é uma verdadeira epidemia mundial.

No último concurso de escolha da Miss peruana, as candidatas protestaram contra essa realidade em seu país, expondo, em lugar das medidas dos seus corpos, os números do feminicidio no país.

No dia 8 de março deste ano, um manifesto internacional, assinado por importantes ativistas, como Ângela Davis, histórica combatente dos Panteras Negras nos Estados Unidos, convocou uma greve internacional de mulheres.

A motivação desse manifesto e a repercussão que teve em todo mundo, com a adesão de movimentos de mulheres de diversos países, é exatamente o esgotamento das mulheres com essa realidade de violência e massacre sobre nossos direitos e nossos corpos.

O Brasil é o quinto mais do mundo mais perigoso para as mulheres viverem. A cada dia, 10 mulheres são assassinadas pela violência machista. O medo de ser estrupada é um sentimento que acompanha todas as mulheres do país, e o trauma com este tipo de violência acompanha uma boa parte das mulheres que já passaram por essa infeliz e atroz experiência.

Diante dessa realidade, a pauta do dia na luta contra a violência às mulheres é a PEC 181, que criminaliza o aborto inclusive em casos de estupro, de risco de vida para mãe e de fetos anencéfalos.

Esta PEC legaliza o estupro e obriga as mulheres a carregarem consigo um embrião fruto de uma das maiores tragédias que uma mulher pode viver.

É muito lamentável que as conquistas das mulheres estejam tão atrasadas no Brasil. O aborto é legalizado na maior parte dos países do mundo, mas aqui precisamos lutar pela descriminalização e pelo direito de escolha nos casos em que não tivemos escolhas.

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Neste dia 25, celebrar a luta contra a violência às mulheres significa nos colocarmos com todas as forças na luta contra a PEC 181. Significa também denunciar todas as formas de assédio e violência que sofremos.

Basta de violência e assédio no transporte público!

Nós, trabalhadoras do transporte, nos indignamos com a realidade que vemos todos os dias nos metrôs e trens lotados.

A superlotação é o ambiente favorável para se expressar essa ideia repugnante de que o homem pode abusar da mulher a tal ponto de sujeita-la a situação humilhante de chegar suja ao trabalho. É um verdadeiro absurdo.

Enquanto as empresas de transporte público nao assumirem para si a responsabilidade sobre essas situações e realizar campanhas de conscientização, essa realidade não vai mudar. E enquanto não houver metrô e trem suficiente para atender a demanda de quem precisa usar esses meios de transporte para trabalhar, essa realidade vai se alterar pouco.

A Federação Nacional dos Trabalhadores Metroferroviários está na linha de frente da batalha pelos direitos das mulheres trabalhadoras. Isso se expressa no combate à PEC 181, no combate à violência no transporte público e no combate às Reformas do governo Temer. Tanto a trabalhista, quanto a da previdência, terão um impacto particular sobre as mulheres trabalhadoras.

Precisamos somar a força das mulheres à resistência que precisa ser desenvolvida em todo o país.

Basta de violência!