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A”cura gay” e o reforço institucional à opressão LGBT

19.09.17 Geral, Notícias Tags:,

Por Raquel Amorim, Diretora da Secretaria de Políticas LGBTs da Fenametro

De retirada de terras indígenas, legalização da precarização do trabalho (reformas trabalhistas, terceirização e previdenciária), ocupação militar no Rio de Janeiro, até censura e cancelamento de exposições de arte e peças teatrais. O último retrocesso que recebemos com perplexidade foi a noticia de que a Justiça do Distrito Federal concedeu uma liminar que permite que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes e realizar terapias de “reversão sexual”, sem possibilidade de sanção do Conselho Federal de Psicologia. Esta decisão, carregada de lgbtfobia, foi tomada na última sexta-feira, 15, pelo juiz federal Waldemar Claudio de Carvalho, após ação de psicólogos fundamentalistas favoráveis a este tipo de conduta. É difícil de acreditar que não estamos no século passado!

Pra começo de conversa: A homossexualidade não tem cura porque não é uma doença!

O movimento LGBT esteve historicamente nas lutas a favor da despatologização da homossexualidade e da transexualidade, alcançando uma importante vitória em 17 de maio de 1990, quando a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade de sua lista internacional de doenças mentais. Até então, a homossexualidade era tida como doença, e recebia diversos tipos de” tratamentos”como choques elétricos, lobotomia, estupros corretivos e exorcismos, que eram na verdade torturas físicas e psicológicas. Muitas pessoas submetidas a estes ”tratamentos” desenvolveram posteriormente traumas e transtornos psicológicos.

Por isso, decisões que permitem terapias de reversão sexual, que refutam todo o trabalho de pesquisas na área, e agem para ceder a pressões conservadoras e retrógadas, demostram cada vez mais a necessidade de afastar da esfera pública ideologias teocêntricas e fundamentalistas.

Realidade das LGBTs no Brasil

De acordo com dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia, até maio deste ano 117 pessoas foram assassinadas no Brasil devido à homofobia. É um assassinato a cada 25 horas. Em 2016, segundo a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais, 340 LGBTs foram mortos no Brasil. Some a isso o despreparo policial e a falta de uma lei que trate desses tipos de agressão, e você terá um mar de casos não resolvidos, subnotificados e uma sociedade que, em boa parte, acredita que homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia não existem, portanto não precisam ser discutidas.

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Apesar dos dados estarrecedores, e da inexistência de uma legislação específica para o enfrentamento, prevenção e contenção desse tipo de violência, o PLC 122, que buscava criminalizar a homofobia, equiparando-a ao racismo, foi sepultado no Congresso Nacional. O Congresso é o local em que a cidadania LGBT enfrenta boicote ferrenho da bancada conservadora e fundamentalista, a mesma que retira conquistas e direitos dos trabalhadores.

Não precisamos de “cura gay”! Precisamos educar as pessoas a respeitarem as diferenças! A Fenametro, em nome de seus sindicatos e trabalhadores metroferroviarios, repudia esta decisão lgbtfobica da justiça brasileira, como também repudia qualquer tipo de discriminação e perseguição às LGBTs.

Nos somaremos aos atos chamados pelos movimentos Lgbts e sociais contra a “cura gay” e a lgbtfobia em todo o Brasil. Derrotar a que homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia na nossa classe, para juntos derrotarmos os ataques contra os trabalhadores!

Fontes:

Justiça concede liminar que permite tratar homossexualidade como doença
OMS retira a homossexualidade da lista de doenças mentais
Menino teve fígado dilacerado pelo pai, que não admitia que criança gostasse de lavar louça
Como a LGBTfobia se esconde no Brasil?