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Morte de criança é resultado da política de privatização no Metrô de SP

28.12.18 Notícias, São Paulo

No último domingo, 23, às vésperas do Natal, uma trágica notícia abalou profundamente os trabalhadores do Metrô de São Paulo. Luan Silva Oliveira, de 3 anos, foi vítima de acidente fatal nos trilhos da estação Santa Cruz.

Como noticiado por diversos canais da mídia, no momento de intenso fluxo de desembarque dos usuários na Estação Santa Cruz, Luan se perdeu dos pais e acabou ficando do lado de fora depois que o trem partiu, adentrou na passarela de emergência e acabou caindo na via onde circula os trens.

A fatalidade mostra a negligência do Metrô de SP com medidas de segurança básicas, decorrentes da política de privatização e precarização levada a frente nos últimos anos pelo governo e a direção da empresa. Falta de contratação de funcionários nas estações, cancelas que dão acesso a passarela de emergência, onde Luan passou e que são vulneráveis, além de estratégias equivocadas adotadas pela supervisão e que precisam ser revistas.

Diante disso, a bancada de trabalhadores da CIPA da Linha 1 solicitou de forma urgente reunião extraordinária para tratar do acidente, mas tal reunião foi negada pela empresa, que alegou “não haver nenhuma medida urgente a ser tomada diante o caso”.

Reproduzimos abaixo a declaração dos trabalhadores eleitos da cipa da Linha 1 denunciando a negligência da companhia, e a Fenametro presta total solidariedade aos pais e familiares de Luan.

Após Acidente Fatal em Santa Cruz, Metrô-SP nega realização de Reunião Extraordinária na CIPA da Linha 1

A bancada eleita dos trabalhadores da CIPA Linha 1, assim como todos os metroviarios, está profundamente abalada com acidente fatal que vitimou a criança Luan Silva Oliveira de 3 anos, no último Domingo (23/12), nos trilhos da estação Santa Cruz.

Justamente por isso, nossa bancada solicitou essa semana a realização de uma reunião extraordinária com o objetivo de debater o ocorrido e propor medidas de prevenção na segurança das plataformas, nas cancelas que dão acesso a passarela de emergência e nas estratégias adotadas pelo CCO e CCS, para que episódios tristes como esse não voltem a ocorrer.

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Tal solicitação está prevista inclusive na NR 5 (Norma Regulamentadora que rege o funcionamento das CIPAs), conforme versa o item 5.27:

“5.27 Reuniões extraordinárias deverão ser realizadas quando:

a) houver denúncia de situação de risco grave e iminente que determine aplicação de medidas corretivas de emergência;

b) ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal;

c) houver solicitação expressa de uma das representações.”

Entretanto, contrariando essa norma, a empresa por intermédio do Presidente da CIPA, negou a realização da Reunião Extraordinária, utilizando como justificativa, que já há outras reuniões marcadas, e o que nos indignou profundamente, dizendo que *”não se faz necessário uma reunião extraordinária exclusiva para este caso, pois não há medida urgente para o fato”*.

Vale lembrar, que também essa semana a empresa negou também outras duas reuniões extraordinárias sobre as agressões sofridas pelos seguranças nas estações Luz e Carandiru, utilizando a mesma justificativa e complementando que “nao houve lesões graves”.

Essse fatos só comprovam como os funcionários e usuários sofrem com a falta de segurança dentro do sistema que a cada dia aumenta por conta da política de privatização, terceirização e precarização levada a frente pelo governo e corroborada pela direção da empresa.

Exigimos que o Metrô – SP respeite o funcionamento e cumpra as normas da CIPA para apurar os acidentes graves e fatais que ocorrem dentro do sistemas.

Nossas vidas valem mais que os lucros daqueles que querem privatizar o Metrô.

Bancada eleita de trabalhadores CIPA L1- Azul