
Adoecimento mental não é problema individual. Pressão, assédio, jornadas desgastantes, falta de trabalhadores e precarização das condições de trabalho também adoecem. Defender a saúde mental é defender trabalho digno, serviço público e direitos.
O Setembro Amarelo reforça a importância da prevenção ao suicídio e do cuidado com a saúde mental. Para a Fenametro, porém, falar sobre saúde mental no mundo do trabalho significa também discutir as condições em que os trabalhadores e trabalhadoras são obrigados a exercer suas funções.
Os números mostram a dimensão do problema. Em 2024, foram concedidos 472.328 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de 68% em relação ao ano anterior. Dados preliminares apontam que esse número chegou a 546.254 benefícios em 2025, segundo levantamento divulgado pela Fundacentro com base em dados do INSS.
O trabalho também pode adoecer
Nos sistemas metroviários, trabalhadores convivem diariamente com situações de elevada responsabilidade e pressão: operação de trens, manutenção, segurança, atendimento ao público, trabalho em ambientes de risco, jornadas desgastantes, cobrança por produtividade e exposição permanente a situações de emergência.
A isso se somam problemas que vêm sendo denunciados pela categoria: déficit de trabalhadores, sobrecarga, terceirização, precarização, falta de reconhecimento profissional, dificuldades de progressão na carreira, assédio e insegurança provocada pelos processos de privatização e desmonte dos serviços públicos.
Não existe saúde mental no trabalho quando o trabalhador é submetido permanentemente à pressão, ao medo e à instabilidade.
Saúde mental também se conquista na luta
Para a Fenametro, a prevenção passa por políticas de saúde, acolhimento e atendimento especializado, mas não pode se limitar a elas. É preciso combater as causas do adoecimento nos locais de trabalho.
Por isso, a luta dos metroviários também é uma luta pela saúde mental: por jornadas mais humanas, dimensionamento adequado das equipes, contratação de trabalhadores, combate ao assédio moral e sexual, ambientes seguros, respeito às pausas e ao descanso, valorização profissional e planos de carreira que garantam perspectivas de desenvolvimento.
É também uma luta contra a terceirização e a privatização. A precarização das relações de trabalho e a lógica de redução de custos não podem estar acima da vida e da saúde de quem mantém o transporte público funcionando.
Nenhum trabalhador deve enfrentar o sofrimento sozinho
A Fenametro reforça seu compromisso com a defesa da saúde integral dos trabalhadores e trabalhadoras metroviários. Cuidar da saúde mental é garantir direitos, combater o assédio, enfrentar a precarização e construir ambientes de trabalho onde as pessoas possam trabalhar e viver com dignidade.
Neste Setembro Amarelo, a mensagem é de solidariedade e também de organização: não naturalizar o sofrimento, não silenciar diante do assédio e não aceitar que metas, cortes e interesses privados sejam colocados acima da vida.
Se você estiver passando por uma situação de sofrimento emocional, procure ajuda. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Também é possível buscar atendimento na rede pública de saúde.
A Fenametro defende:
✊ Saúde mental como direito dos trabalhadores;
✊ Combate ao assédio moral e sexual;
✊ Mais trabalhadores e menos sobrecarga;
✊ Jornadas e condições de trabalho dignas;
✊ Planos de carreira e valorização profissional;
✊ Combate à terceirização e à precarização;
✊ Metrô público, estatal e de qualidade.
SAÚDE MENTAL NÃO É PRIVILÉGIO. É DIREITO.
PELA VIDA, PELA DIGNIDADE E POR UM TRABALHO QUE NÃO ADOEÇA!




