Uma reportagem da jornalista Mariana Serafini, publicada pela CartaCapital no dia 17 de setembro, joga luz sobre mais um episódio que exige respostas do governo Tarcísio de Freitas. Em “A farra da bilhetagem”, a jornalista revela os bastidores de um modelo que movimenta bilhões de reais do transporte metropolitano e levanta graves questionamentos sobre transparência, fiscalização e conflito de interesses.
Segundo a reportagem, a Autopass, responsável pela gestão da bilhetagem, foi contratada sem licitação por meio da Abasp, entidade que reúne empresas públicas e concessionárias. Documentos citados pela CartaCapital mostram que 14 dos 24 integrantes fundadores da Abasp tinham relação societária ou de controle com a própria Autopass. O sistema movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano. Ou seja, a raposa tomando conta do galinheiro.
O caso se soma a uma sequência de denúncias e questionamentos sobre o modelo de privatização e concessão adotado em São Paulo, enquanto Metrô e CPTM enfrentam dificuldades financeiras e operacionais. A própria reportagem aponta quase R$ 125 milhões em valores do antigo sistema BOM cobrados judicialmente pelas duas empresas estatais.
Para a Fenametro, não existe serviço público de qualidade quando o dinheiro que deveria fortalecer o transporte é tratado como oportunidade de negócio. Bilhetagem, arrecadação e dados dos passageiros são parte estratégica de um sistema que deve estar sob controle público e a serviço da população.
São Paulo precisa de coragem para virar o jogo. É preciso interromper a lógica de entregar patrimônio, serviços e recursos públicos ao setor privado enquanto trabalhadores e usuários pagam a conta.
A Fenametro seguirá na luta contra a farra com o dinheiro público, em defesa do Metrô, da CPTM, da CBTU e de todo o transporte sobre trilhos público, estatal, seguro e de qualidade. Porque transporte público é direito — não negócio.




