Fenametro repudia truculência do governo Milei contra os metroviários argentinos
22.10.26 Destaques, NotíciasA repressão sindical e os ataques aos direitos sociais na Argentina de Milei acendem um alerta para os trabalhadores brasileiros diante do projeto defendido por Flávio Bolsonaro.
A Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro) manifesta solidariedade aos trabalhadores do metrô de Buenos Aires, vítimas de violência policial após uma mobilização contra sanções disciplinares consideradas arbitrárias pela empresa Emova. Na manhã de 20 de outubro, delegados da Linha B abriram as catracas em protesto. Ao fim da ação, policiais tentaram deter um representante sindical e levaram outros dois trabalhadores e dirigentes sindicais sob custódia. Em resposta, os metroviários paralisaram o metrô e o Premetro, exigindo a libertação dos companheiros.
O episódio ocorre em meio à criminalização dos protestos na Argentina, sob os governos de Javier Milei, no âmbito nacional, e Jorge Macri, em Buenos Aires. Para a Fenametro, perseguir dirigentes sindicais e reprimir reivindicações é atacar a liberdade de organização e a própria democracia.
Os efeitos sociais do modelo econômico argentino reforçam esse alerta. Segundo o INDEC, a pobreza atingiu 32,3% da população urbana no primeiro semestre de 2026, enquanto o desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre. Embora a inflação tenha recuado em relação aos níveis extremos de 2023, persistem as dificuldades econômicas, os conflitos em torno dos serviços públicos e os ataques aos direitos trabalhistas. A estabilização das contas públicas não pode ser confundida com justiça social quando os trabalhadores arcam com os custos do ajuste.
O Brasil não está imune a esse caminho.
A agenda defendida por Flávio Bolsonaro representa o risco de aprofundamento de um projeto de extrema direita, autoritário e anti-trabalhista. As realidades dos dois países são distintas, mas a experiência argentina demonstra os perigos de políticas que enfraquecem sindicatos, retiram direitos e criminalizam a mobilização popular. O Brasil pode enfrentar consequências semelhantes ou ainda mais graves se esse projeto avançar.
A Fenametro reafirma que não flerta nem apoia projetos fascistas. A luta coletiva e a organização sindical são caminhos fundamentais para conquistar direitos e enfrentar o autoritarismo. As conquistas históricas dos trabalhadores resultam de décadas de greves e mobilizações e exigem sindicatos fortes, liberdade de organização e respeito ao direito de reivindicar.
A Federação repudia a repressão aos metroviários argentinos, soma-se ao grito por Justiça e o fim da política de terror e desalento de Milei e reafirma seu compromisso com a democracia e os direitos da classe trabalhadora. A solidariedade internacional é essencial para barrar o avanço autoritário e impedir novos retrocessos.
Nenhum direito a menos! Contra o autoritarismo, mais organização, luta e resistência da classe trabalhadora.




