Leilão no Rio entrega trens a fundos privados e reforça modelo de privatização
25.02.26 Destaques, Notícias, Rio de Janeiro
O Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou, no último dia 10 de fevereiro, o leilão para definir o novo operador dos trens metropolitanos no lugar da SuperVia. O resultado escancara mais uma etapa da política de privatização que marcou o sistema nas últimas décadas — e que levou a malha ferroviária a um quadro de sucateamento alarmante.
O único participante do certame foi um consórcio formado pelos fundos Nova Via e Magna, que ofereceu desconto simbólico de apenas 0,06% sobre a tarifa de referência de R$ 17,60 — valor mais que o dobro da tarifa pública paga atualmente pelos passageiros. O modelo prevê pagamento por disponibilidade, com remuneração baseada na quilometragem percorrida.
Na prática, o serviço continuará nas mãos do mercado financeiro.
Os fundos vencedores irão subcontratar empresas para operar o sistema, entre elas o grupo português Grupo Barraqueiro e a MPE Engenharia. O contrato terá duração inicial de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, com previsão de R$ 660 milhões pela exploração do serviço.
Para a Fenametro, o modelo adotado repete a lógica que historicamente fragilizou o transporte ferroviário no estado: mercantilização, fragmentação da gestão e priorização do retorno financeiro em detrimento do interesse público.
A crise da malha fluminense não é fruto do acaso. É consequência direta de anos de concessões mal estruturadas, falta de investimentos e ausência de planejamento público de longo prazo. A troca de operador, sem mudança estrutural no modelo, não garante solução definitiva para os problemas enfrentados diariamente pela população trabalhadora.
A Federação reafirma que o transporte sobre trilhos é um serviço essencial e estratégico, que deve estar sob controle público, com gestão estatal, investimentos permanentes e compromisso social. O Rio de Janeiro precisa de reconstrução do sistema ferroviário com foco no direito à mobilidade — não de mais uma experiência subordinada aos interesses do mercado.
A luta contra a privatização e pela reestatização do transporte ferroviário segue sendo central para garantir qualidade, segurança e tarifa socialmente justa para a população.
Com informações do Portal Plamurb




