Eleições 2026 confronta projeto de inclusão contra entrega do patrimônio
13.10.26 Destaques, NotíciasAmeaças aos direitos trabalhistas, à Previdência e aos serviços públicos exigem atenção e mobilização. O país já conhece as consequências de um projeto que coloca os interesses do mercado acima das necessidades da população.
O Brasil já sentiu na pele as consequências de um governo Bolsonaro. Em 2021, imagens de pessoas em filas para conseguir ossos e restos de carne chocaram o país e ganharam repercussão internacional. Eram retratos de uma crise que empurrou milhares de famílias para a insegurança alimentar, enquanto a inflação corroía os salários, o desemprego limitava as perspectivas e a perda do poder de compra tornava a vida mais difícil. Essa realidade não pode ser apagada da memória nacional.
Querem cortar a valorização dos salários
O salário mínimo é um instrumento fundamental de valorização do trabalho e distribuição de renda. Em 2026, o piso nacional chegou a R$ 1.621, resultado de uma política de valorização que busca garantir ganhos reais aos trabalhadores. No fim do governo Bolsonaro, em 2022, o mínimo era de R$ 1.212, sem aumento acima da inflação naquele ano.
A experiência demonstra que as escolhas econômicas têm consequências diretas na vida da população. Propostas de ajuste fiscal que restringem a valorização dos salários ameaçam o poder de compra dos trabalhadores, aposentados e pensionistas, além de enfraquecer o mercado interno. Quando a renda perde valor, as famílias sentem no supermercado, nas contas de casa e na dificuldade de garantir condições dignas de vida.
Querem emprego precário e menos tempo para viver
Trabalho digno não significa apenas ter emprego: significa ter direitos, salário justo, condições adequadas e tempo para viver. A classe trabalhadora precisa avançar na redução da jornada, no fim da escala 6×1 e na conquista da jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial.
Defender jornadas exaustivas em nome da competitividade é colocar o lucro acima da saúde e da dignidade humana. Trabalhadores e trabalhadoras têm direito ao descanso, ao convívio familiar, ao lazer e à participação na vida social. A luta por melhores condições de trabalho é também uma luta pela qualidade de vida e por uma sociedade que não condene milhões de pessoas a viver apenas para trabalhar.
Querem que os mais vulneráveis paguem a conta
A proteção social não pode ser tratada como uma despesa a ser cortada indiscriminadamente. Aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) são fundamentais para milhões de brasileiros, especialmente idosos, pessoas com deficiência e famílias em situação de vulnerabilidade.
Restringir a evolução desses benefícios, sem assegurar a preservação do poder de compra, pode aprofundar desigualdades e comprometer a sobrevivência de quem mais precisa da proteção do Estado. Defender a Previdência e a assistência social é defender o direito de envelhecer com dignidade e de viver com segurança, independentemente da renda.
Desmonte dos serviços públicos significa menos direitos
O momento exige atenção. A ameaça de um novo governo alinhado ao bolsonarismo não diz respeito apenas aos salários, aos empregos ou aos benefícios sociais. Está em jogo também o futuro dos serviços públicos e a capacidade do Estado de garantir direitos à população.
Quando os serviços públicos são enfraquecidos, sucateados ou entregues à lógica do mercado, quem depende deles para viver é diretamente atingido. Saúde, educação, saneamento e transporte são essenciais à vida em sociedade. Sem serviços públicos fortes, o acesso a esses direitos fica cada vez mais condicionado à capacidade de cada pessoa pagar por eles.
A privatização do transporte sobre trilhos é um exemplo concreto desse risco. Metrôs e trens são fundamentais para garantir o deslocamento diário de milhões de trabalhadores, estudantes e famílias. Quando a mobilidade urbana passa a ser orientada prioritariamente pela busca do lucro, a população fica exposta a decisões empresariais que nem sempre correspondem ao interesse público. Tarifas, qualidade do serviço, manutenção, segurança e condições de trabalho não podem ser tratados como questões secundárias diante da rentabilidade dos negócios.
A experiência das linhas concedidas à iniciativa privada em São Paulo reforça a necessidade de acompanhar os resultados desse modelo. Falhas operacionais, problemas de manutenção e dificuldades na prestação do serviço mostram que a população precisa estar no centro das decisões sobre o transporte. Afinal, quem enfrenta trens lotados, atrasos e longos deslocamentos para chegar ao trabalho não pode ser tratado apenas como passageiro ou consumidor: é um cidadão que depende de um serviço essencial para exercer seus direitos.
A privatização também afeta os trabalhadores metroferroviários, que enfrentam mudanças nas relações de trabalho, pressão por produtividade e incertezas sobre suas condições profissionais. Defender o transporte público é, portanto, defender tanto os direitos de quem trabalha no sistema quanto os de quem depende dele diariamente.
É esse o futuro que precisamos discutir: um país em que os direitos sejam ampliados ou uma sociedade em que cada vez mais pessoas tenham de pagar para acessar aquilo que deveria ser garantido a todos? A defesa dos serviços públicos é parte inseparável da luta por melhores salários, empregos dignos e justiça social.




