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Estudo reforça papel do metrô no desenvolvimento sustentável das cidades

02.06.26 Destaques, Notícias Tags:, ,
Estação Botafogo em foto de antes da pandemia — Foto: Reprodução/Metrô Rio

Um estudo apresentado pela Coppe/UFRJ revelou o potencial transformador de uma futura Linha 3 do Metrô ligando Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Com cerca de 50 quilômetros de extensão e 29 estações, o projeto poderá beneficiar diretamente 1,7 milhão de moradores da Região Leste Fluminense, reduzindo drasticamente o tempo de deslocamento e melhorando a qualidade de vida da população.

Um dos exemplos mais emblemáticos apresentados pelos pesquisadores mostra que o trajeto entre o Aeroporto Santos Dumont e o bairro de Icaraí, em Niterói, poderia cair dos atuais 75 minutos de carro para apenas 11 minutos de metrô. A proposta também reduziria significativamente o tempo de viagem entre importantes polos de moradia, trabalho, estudo e serviços da região metropolitana.

Mais do que uma obra de infraestrutura, o estudo reforça uma verdade frequentemente ignorada pelos defensores das privatizações: não existe projeto real de desenvolvimento sem investimento em transporte público de massa, limpo, sustentável e acessível.

Sistemas metroferroviários reduzem congestionamentos, diminuem a emissão de poluentes, integram territórios, ampliam o acesso ao emprego, à educação e aos serviços públicos. São instrumentos fundamentais para combater desigualdades e promover desenvolvimento econômico com inclusão social.

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Por isso, a mobilidade urbana não pode ser tratada como mercadoria. Transporte público é um direito universal e uma responsabilidade do Estado. Quando a lógica do lucro se sobrepõe ao interesse coletivo, os investimentos deixam de priorizar as necessidades da população e passam a atender exclusivamente aos interesses do mercado.

A experiência brasileira tem demonstrado que privatizações e concessões não representam, necessariamente, melhoria dos serviços. Em diversas cidades, a população convive com tarifas elevadas, precarização da operação, redução da transparência e menor controle social sobre sistemas que são essenciais para a vida cotidiana.

O estudo da Coppe/UFRJ aponta um caminho diferente: planejamento público, visão de longo prazo e investimentos estruturantes capazes de transformar a mobilidade urbana e impulsionar o desenvolvimento sustentável. É esse modelo que deve orientar as políticas de transporte no Brasil.

Defender metrôs, trens urbanos e sistemas de transporte público fortes é defender cidades mais justas, sustentáveis e humanas. É garantir que o direito de ir e vir esteja acima dos interesses privados e que a mobilidade seja tratada como um bem público a serviço de toda a sociedade.