Privatização deixa conta bilionária: saída da SuperVia expõe fracasso do modelo
02.09.26 Destaques, NotíciasDívida de cerca de R$ 1,9 bilhão da antiga concessionária é alvo de disputa entre BNDES e governo estadual; para a FENAMETRO, trabalhadores e população não podem pagar pela crise produzida pela privatização.

A saída da SuperVia da operação dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro não encerrou os problemas deixados pelo modelo de concessão. Ao contrário: abriu uma nova disputa, agora em torno de um passivo de aproximadamente R$ 1,9 bilhão relacionado a um financiamento contratado pela antiga concessionária junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A SuperVia encerrou definitivamente suas atividades em 29 de maio de 2026. No dia seguinte, uma nova operadora passou a administrar o sistema por meio de um contrato com o Governo do Estado. A transição, entretanto, não eliminou as dívidas e os problemas acumulados durante os anos de concessão.
Privatiza o serviço, socializa o prejuízo
O caso evidencia uma contradição que os trabalhadores do transporte público conhecem bem: quando a operação é entregue à iniciativa privada, os ganhos são privatizados; quando o modelo entra em crise, a conta tende a voltar para o poder público.
O BNDES sustenta que o fim da antiga concessão eliminou a garantia vinculada às receitas tarifárias da SuperVia e, por isso, defende que o Estado assuma o financiamento. O governo do Rio contesta essa interpretação e afirma que a dívida está judicializada, sem ter assinado qualquer documento que formalize a assunção do passivo.
A origem do problema está em um financiamento de R$ 1,6 bilhão aprovado pelo BNDES em 2013, dentro de um programa de investimentos de R$ 2,15 bilhões. Parte dos recursos foi destinada à compra de trens e outra parcela a obras em vias, sistemas elétricos, sinalização e estações. Com a deterioração financeira da concessionária, entretanto, o endividamento se acumulou.
O modelo privado não entregou o transporte que a população merece
A própria atuação regulatória mostra que os problemas não se resumiam às contas da empresa. Em junho deste ano, a Agetransp aplicou multa à SuperVia por não concluir intervenções no ramal Guapimirim. Fiscalizações identificaram falhas de drenagem, erosões, lixo, vegetação invasiva, dormentes deteriorados, problemas de acessibilidade e desgaste estrutural em estações e paradas.
Em abril, a agência também manteve multas contra a concessionária por irregularidades operacionais e descumprimento de obrigações contratuais.
É esse o resultado que precisa ser discutido: depois de anos de concessão, o sistema termina com problemas de infraestrutura, uma empresa em crise e uma dívida bilionária cuja responsabilidade agora está sendo disputada.
A conta não pode ser dos trabalhadores e da população
Para a Fenametro, o episódio reforça a necessidade de questionar a lógica que transforma serviços públicos essenciais em negócios privados.
Transporte sobre trilhos não é mercadoria. É direito da população e instrumento fundamental para garantir mobilidade, acesso ao trabalho, à educação e aos serviços públicos.
A experiência da SuperVia demonstra que entregar a operação a empresas privadas não elimina a necessidade de investimento público — e tampouco garante qualidade, segurança ou sustentabilidade financeira.
Ao contrário: quando a concessão fracassa, o Estado continua sendo chamado a garantir a continuidade do serviço e a enfrentar os passivos deixados pelo modelo.
Em defesa do transporte público e dos trabalhadores
A Fenametro reafirma que a saída para a crise dos sistemas metroferroviários e ferroviários não está em novas privatizações ou concessões, mas em investimento público, planejamento de longo prazo, manutenção permanente, valorização dos trabalhadores e controle social sobre os serviços.
A população precisa saber: quem paga a conta quando uma concessão fracassa? Quem assume os passivos? Quem garante os investimentos? E quem responde pelos empregos e direitos dos trabalhadores?
A resposta não pode ser novamente a socialização dos prejuízos.
A Fenametro defende um modelo de transporte público público, estatal, de qualidade e sob controle social, com recursos suficientes para garantir segurança aos trabalhadores e usuários e condições dignas para quem mantém os trilhos funcionando.
A crise da SuperVia é mais um alerta: privatizar não é solução. É transferir um serviço público para a lógica do lucro — até que a conta volte para o povo.
NÃO À PRIVATIZAÇÃO!
PELA VALORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES!
POR TRANSPORTE PÚBLICO, ESTATAL E DE QUALIDADE!




