
O que antes era tratado por muitos como uma proposta “utópica” vem se consolidando como uma realidade concreta em todo o país. Com a adesão de Jandaia do Sul (PR) e Pompéia (SP), o Brasil alcançou a marca de 150 municípios com transporte público totalmente gratuito.
Esse avanço não aconteceu por acaso. É resultado direto da luta popular e da mobilização da classe trabalhadora por um transporte acessível, digno e tratado como direito social. Desde as Jornadas de Junho de 2013, que tiveram como estopim o aumento das tarifas, a mobilidade urbana passou a integrar a Constituição Federal como um direito do cidadão. No entanto, transformar esse direito em realidade exige vontade política, investimento público e enfrentamento aos interesses privados que historicamente dominam o setor.
A crise do modelo atual é cada vez mais evidente. Após décadas de privatizações e concessões, o transporte coletivo brasileiro enfrenta queda de demanda, aumento de custos operacionais e crescente dependência de subsídios públicos. O avanço do transporte individual, as mudanças no mercado de trabalho, a escalada dos preços dos combustíveis e as sucessivas altas nas tarifas criaram um círculo vicioso que penaliza os usuários e compromete a sustentabilidade do sistema.
Para a Fenametro, a Tarifa Zero é uma medida estratégica para garantir o direito à mobilidade e ampliar o acesso da população à cidade. Por isso, a Federação está em campanha permanente pela implementação da Tarifa Zero em todo o país, entendendo que o transporte público deve ser financiado coletivamente e tratado como um serviço essencial, assim como a saúde e a educação.
Garantir transporte gratuito significa permitir que trabalhadores, estudantes, idosos e desempregados possam circular livremente pela cidade, acessar empregos, serviços públicos, cultura e lazer. Significa reduzir desigualdades, combater a exclusão territorial e construir cidades mais humanas, inclusivas e democráticas.
Ao mesmo tempo, a Fenametro alerta que a Tarifa Zero não pode servir para ampliar os lucros das empresas privadas que operam o sistema. Sem enfrentar o modelo de privatização do transporte público, existe o risco de transformar recursos públicos em uma transferência permanente de dinheiro para concessionárias, sem que haja melhorias efetivas na qualidade do serviço prestado à população.
Defendemos que o dinheiro público seja investido prioritariamente em sistemas públicos de transporte, com gestão transparente, controle social e foco no interesse coletivo. A mobilidade urbana deve estar a serviço da população, e não dos lucros de um pequeno grupo de empresários.
A marca de 150 cidades com Tarifa Zero é uma conquista histórica e demonstra que outro modelo de transporte é possível. Projetos que ampliam essa política avançam em diversas esferas do poder público, enquanto pesquisas apontam crescente apoio da sociedade à gratuidade no transporte coletivo.
A disputa, porém, continua aberta. De um lado, está o projeto que entende o transporte como direito social e instrumento de inclusão. Do outro, a lógica que transforma um serviço essencial em fonte de lucro privado. Para a Fenametro, o caminho é claro: defender a Tarifa Zero, fortalecer o transporte público sobre trilhos e garantir cidades mais justas, sustentáveis e menos desiguais para todos.




