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Aumento no Metrô do Rio escancara efeitos nefastos da privatização

26.01.26 Destaques, Notícias, Rio de Janeiro Tags:, , ,
Metrô lotado no Rio – créditos: Divulgação

A passagem do Metrô do Rio de Janeiro, já a mais cara entre as capitais com sistema metroviário, pode chegar a R$ 8,20 a partir de abril de 2026. O reajuste, previsto em contrato de concessão, é mais um exemplo dos efeitos perversos do modelo de privatização e concessões, que transfere o custo do transporte público diretamente para o bolso da população trabalhadora.

Caso o aumento seja confirmado, o Rio de Janeiro ampliará ainda mais a distância em relação a outras capitais que já aplicam aumentos abusivis de tarifas, como é o caso de São Paulo (R$ 5,40) e Belo Horizonte (R$ 5,80), evidenciando que o modelo privatizado resulta em tarifas mais altas e menor controle social.

A Fenametro tem denunciado de forma permanente que a lógica das concessões prioriza a rentabilidade das empresas privadas, enquanto o direito à mobilidade é tratado como mercadoria. No Rio, a ausência de uma política consistente de subsídio público universal agrava ainda mais o problema, tornando o metrô inacessível para uma parcela crescente da população.

Privatização significa tarifa alta e exclusão

Diferentemente do que ocorre em diversos países e até em sistemas públicos no Brasil, o metrô do Rio não conta com subsídio público amplo para reduzir o valor da passagem. O resultado é um modelo que empurra a conta para os usuários, ao mesmo tempo em que garante contratos vantajosos para a concessionária.

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Especialistas apontam que o subsídio é instrumento fundamental para garantir tarifas compatíveis com a renda da população. No entanto, o governo estadual segue se recusando a implementar uma política que priorize o interesse público, mantendo um sistema caro, excludente e cada vez menos acessível.

A própria concessionária reconhece a queda no número de passageiros, resultado direto dos sucessivos aumentos. Ainda assim, o modelo permanece intocado, aprofundando um ciclo perverso: menos usuários, tarifas mais altas e mais dependência de contratos que garantem a lucratividade privada.

Fenametro defende tarifa zero e transporte público como direito

A Fenametro reafirma que o transporte público deve ser tratado como direito social, e não como fonte de lucro. A Federação defende a ampliação do subsídio público, a reversão das privatizações e a implementação de políticas estruturantes, como a tarifa zero, já adotada em diversas cidades brasileiras para o transporte coletivo.

A luta da Fenametro é por um sistema público, estatal, com controle social, transparência e financiamento adequado, para garantir acesso universal, reduzir desigualdades e promover o direito à cidade.

Tarifa alta é escolha política. Privatização é escolha política. A Federação seguirá mobilizada, ao lado dos sindicatos e da classe trabalhadora, para denunciar esse modelo e construir alternativas que coloquem a vida, o direito à mobilidade e o interesse público acima do lucro.