Notícias

Em audiência pública em Belo Horizonte, metroviários denunciam privatização da CBTU

15.10.19 Minas Gerais, Notícias

Para discutir e encontrar estratégias para enfrentar a privatização da CBTU e da Trensurb, foi realizada nesta segunda-feira, 14, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, uma audiência pública.

Os presentes rejeitaram a privatização da CBTU e deram diversos depoimentos sobre como será prejudicial para os trabalhadores,os usuários e a população em geral.

Representando o Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais, Alda Lúcia Fernandes dos Santos trouxe as dificuldades enfrentadas com o aumento da tarifa da CBTU, hoje de R$ 3,40, que levou o metrô mineiro a perder por dia 40 mil passageiros. Alda relata como os usuários não estão conseguindo arcar com o valor, especialmente num país com 12 milhões de desempregados.

Ela afirma que com a privatização a tarifa será ainda maior, excluindo mais trabalhadores. Alda traz o exemplo da privatização da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, custeada com dinheiro público, financiada pelo BNDES, e que faz com que o Estado arcaque com as gratuidades e com um número mínimo de passageiros a ser transportado.

Os exemplos negativos sobre a privatização são muitos. Adalberto Afonso, presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco, falou sobre o processo de privatização do metrô do Rio de Janeiro, que reduziu em 50% o número de funcionários, desativou ramais importantes e diminuiu consideravelmente o número de usuários transportados.

Veja também  Metroviários do Rio de Janeiro aprovam acordo coletivo

Ele reforçou que o transporte público é uma questão social e não pode andar junta da lógica do capital.

Um exemplo muito triste, porém real, dos efeitos da privatização foi trazido pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), que citou o rompimento da barragem de Brumadinho.

A barragem, era administrada pela Vale, uma empresa privada, que sabia dos riscos de rompimento e condições precárias de evacuação e mesmo assim preferiu o lucro a vida dos trabalhadores e a preservação do meio ambiente.

A deputada lembra que a opção da Vale assassinou 272 pessoas.”Quem foi fazer o resgaste? O Corpo de Bombeiros,um serviço público. Quem está defendendo as pessoas? A defensoria pública. Quem está investigando o crime? O Ministério Público, a Polícia Civil”, disse.

A categoria metroferroviária, movimentos sociais, sindicatos e centrais sindicais, além de parlamentares federais, estaduais e municipais estiveram presentes. O deputado federal Rogério Correia (PT) foi autor do requerimento solicitando a audiência, e também estiveram presentes os vereadores Pedro Bueno (Podemos) e Arnaldo Godoy (PT), além de representação da CBTU.