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Água e transporte mais caros escancaram as mentiras dos governos de São Paulo

27.01.26 Destaques, Notícias, São Paulo Tags:, , , , , , ,

Os paulistas começaram 2026 pagando mais caro por dois serviços essenciais: água e transporte público. O aumento das tarifas expõe, mais uma vez, as promessas vazias do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito da capital, Ricardo Nunes, que garantiram em campanha que não haveria reajustes.

A partir de 1º de janeiro, a conta de água teve reajuste de 6,11%, índice acima da inflação oficial de 2025, que fechou em 4,5%. Já as tarifas de metrô e trens passaram de R$ 5,20 para R$ 5,40, enquanto a passagem de ônibus na capital subiu de R$ 5,00 para R$ 5,30.

Os aumentos confirmam o que os movimentos sindicais e populares denunciaram desde o início: privatização, terceirização e entrega de serviços públicos resultam em tarifas mais altas, pior atendimento e mais lucros para acionistas.

A mentira de Tarcísio e a privatização da Sabesp

Durante a campanha eleitoral, Tarcísio de Freitas afirmou que era “fake news” dizer que a conta de água aumentaria com a privatização da Sabesp. Ao defender a venda da empresa, prometeu inclusive que a tarifa poderia cair.

O que ocorreu foi o oposto. Desde a privatização, a Sabesp iniciou um processo de demissões em massa. Segundo o Sintaema, mais de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras foram desligados, sendo cerca de mil apenas no primeiro trimestre após a venda.

Com menos funcionários, o serviço foi rapidamente precarizado. Moradores de diversas cidades relatam aumento de vazamentos, demora em reparos, desperdício de água e falta de manutenção. Além disso, vários municípios enfrentaram desabastecimento e racionamento, enquanto a empresa alega aumento de consumo no verão — como se esse fenômeno fosse uma surpresa.

A política de dividendos também mudou drasticamente. Antes, 25% do lucro líquido era distribuído aos acionistas. Agora, esse percentual pode chegar a 100% a partir de 2030, deixando explícito que o objetivo central da empresa passou a ser a remuneração dos investidores, e não o atendimento à população.

Sabesp vendida a preço de banana

A Sabesp foi privatizada em julho de 2024 por R$ 14,7 bilhões, com a venda de 32% das ações para a Equatorial Participações e Investimentos. Com isso, o governo do estado reduziu sua participação de 50,3% para apenas 18,3%.

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Entidades como o Sintaema e o Instituto Ondas denunciaram que o valor da venda ficou abaixo do preço de mercado e muito inferior ao apontado nos relatórios de avaliação econômica da própria empresa, configurando uma clara subavaliação do patrimônio público.

Metrô e trens mais caros e mais privatização

Além da água, o transporte sobre trilhos também ficou mais caro. O aumento para R$ 5,40 penaliza milhões de trabalhadores e trabalhadoras que dependem diariamente do metrô e dos trens.

Enquanto a população paga mais, o governo estadual mantém repasses milionários às concessionárias privadas que operam linhas privatizadas. Levantamentos já demonstraram que empresas privadas recebem muito mais recursos públicos, mesmo transportando menos passageiros do que o Metrô e a CPTM, que seguem sendo sucateados.

O resultado é superlotação, falhas constantes, acidentes e até mortes, como o caso ocorrido em 2025 na Linha 5-Lilás, operada pela iniciativa privada.

Nunes também mentiu: ônibus mais caros em São Paulo

Na capital, a tarifa de ônibus também subiu para R$ 5,30, reajuste acima da inflação. O aumento desmente diretamente as promessas do prefeito Ricardo Nunes, que afirmou após a reeleição que não pretendia reajustar a passagem.

Assim como Tarcísio, Nunes usou o discurso para vencer as eleições e, poucos meses depois, fez exatamente o contrário do que prometeu à população.

A conta da privatização e das promessas vazias

Os aumentos na água e no transporte mostram que a política de privatizações, terceirizações e parcerias com grandes grupos econômicos tem um único resultado: serviços mais caros, pior qualidade e mais dinheiro público transferido para acionistas e concessionárias.

A Fenametro reafirma que a defesa do transporte público, da água como direito e das empresas públicas é fundamental para garantir tarifas justas, qualidade no atendimento e respeito aos trabalhadores e à população.