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Piauí | Metrô gratuito e expansão comprovam que privatizar não devem ser rumo

11.06.26 Destaques, Notícias Tags:, , ,

Enquanto estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais insistem em entregar sistemas metroferroviários à iniciativa privada, a experiência do Piauí aponta para um caminho oposto: mais investimento público, ampliação da oferta de transporte e garantia do direito à mobilidade para a população.

Nesta semana, as novas estações Todos os Santos e Colorado, em Teresina, começaram a receber passageiros, ampliando o atendimento do VLT da capital piauiense. Mesmo com as obras de modernização ainda em andamento, o sistema já opera gratuitamente em horários de pico, beneficiando milhares de trabalhadores e estudantes que dependem do transporte coletivo para suas atividades diárias.

A política de tarifa zero implementada pelo Governo do Piauí, combinada com a reforma das estações e a ampliação do percurso, já atende cerca de 8 mil passageiros por dia. Os relatos dos próprios usuários são reveladores: redução dos gastos das famílias, viagens mais rápidas, maior conforto e melhores condições de acesso ao trabalho e à educação.

O exemplo piauiense contrasta com a realidade vivida em estados que optaram pela privatização. Em São Paulo, linhas concedidas à iniciativa privada acumulam episódios de falhas operacionais, paralisações, atrasos, problemas de manutenção e dificuldades de integração, enquanto a lógica do lucro passa a disputar espaço com o interesse público. A população paga tarifas elevadas e convive com um sistema fragmentado, em que diferentes operadores administram partes da mesma rede.

No Rio de Janeiro, décadas de concessões e privatizações não resolveram os problemas históricos do transporte sobre trilhos. Pelo contrário, usuários enfrentam degradação dos serviços, intervalos irregulares e sucessivas crises financeiras das concessionárias, que frequentemente recorrem ao poder público para garantir sua sobrevivência.

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Em Minas Gerais, o processo de privatização do metrô de Belo Horizonte também desperta preocupação entre trabalhadores e usuários. A promessa de eficiência e investimentos privados vem acompanhada de incertezas sobre tarifas, condições de trabalho e compromisso efetivo com a universalização do serviço.

Esses casos demonstram que mobilidade urbana não pode ser tratada como mercadoria. Sistemas metroferroviários exigem planejamento de longo prazo, integração territorial e investimentos permanentes que dificilmente se compatibilizam com modelos voltados prioritariamente para a rentabilidade dos acionistas.

O que acontece em Teresina reforça justamente o contrário: quando o Estado assume o transporte como política pública, os benefícios retornam diretamente para a população. A tarifa zero reduz desigualdades, amplia o acesso à cidade, fortalece a economia local e melhora a qualidade de vida de quem depende diariamente do transporte coletivo.

Para a Fenametro, a experiência do Piauí evidencia que o futuro da mobilidade passa pelo fortalecimento das empresas públicas, pela valorização dos trabalhadores do setor e pela expansão dos sistemas sobre trilhos como patrimônio da sociedade. Em vez de privatizar um serviço essencial, é preciso investir em redes públicas, integradas, acessíveis e voltadas ao interesse coletivo.

O transporte sobre trilhos não deve servir ao lucro de poucos. Deve cumprir sua função social: garantir o direito de ir e vir, promover desenvolvimento sustentável e oferecer um serviço de qualidade para toda a população.