Recife | Morte de trabalhador na CBTU exige reflexão condições de trabalho
11.06.26 Destaques, Notícias
O Metrô do Recife registrou a morte do trabalhador Tiago Barbosa dos Santos, empregado da CBTU Recife, lotado na COELI (Rede Aérea), vítima de uma descarga elétrica durante o exercício de suas funções.
O caso, ainda sob apuração, provocou forte reação do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SINDMETRO/PE), que classificou o episódio como uma tragédia que expõe o processo de deterioração do sistema metroferroviário da Região Metropolitana do Recife.
Segundo a entidade, o acidente não pode ser tratado como um fato isolado. O sindicato afirma que há anos denuncia, por meio de ofícios, reuniões e manifestações públicas, o avanço do sucateamento da infraestrutura, a falta de investimentos, a precarização das condições de trabalho e o aumento dos riscos operacionais no sistema.
O SINDMETRO/PE também cobra a abertura de uma investigação rigorosa, independente e transparente para apurar as circunstâncias do acidente, além de responsabilização dos envolvidos.
A entidade direciona ainda críticas à gestão do sistema e ao poder público, afirmando que o abandono do metrô vem sendo alertado reiteradamente sem respostas estruturais efetivas.
O sindicato defende que a tragédia reforça a necessidade urgente de investimentos no sistema metroferroviário e de políticas permanentes de segurança para trabalhadores e usuários.

NOTA NA ÍNTEGRA – SINDMETRO/PE
O SINDMETRO/PE manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do trabalhador Tiago Barbosa dos Santos, empregado da CBTU Recife, lotado na COELI (Rede Aérea), vítima de uma descarga elétrica durante o exercício de suas funções. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família, aos amigos e a todos os companheiros de trabalho que conviviam diariamente com este profissional e que hoje enfrentam a tristeza e a indignação provocadas por uma perda irreparável.
Mais do que uma fatalidade, este episódio exige reflexão, responsabilidade e respostas. Pela primeira vez em sua história, o Metrô do Recife registra um acidente fatal com um trabalhador em serviço. Trata-se de um marco trágico que não pode ser tratado como um evento isolado nem reduzido a uma estatística.
Há anos o SINDMETRO/PE denuncia, em reuniões, ofícios, audiências públicas, manifestações e comunicados oficiais, o progressivo abandono do sistema metroferroviário do Recife. Há anos alertamos para a deterioração da infraestrutura, a insuficiência de investimentos, a precarização das condições operacionais, o envelhecimento dos equipamentos e os riscos crescentes aos quais trabalhadores e usuários vêm sendo submetidos.
Nossos alertas foram reiteradamente ignorados. Nossas denúncias foram minimizadas. Nossos apelos por investimentos estruturantes esbarraram na burocracia, na omissão e na falta de prioridade política. Enquanto trabalhadores apontavam problemas e riscos concretos, os diversos níveis de governo empurravam soluções para o futuro, adiavam decisões e mantinham o sistema funcionando em condições cada vez mais críticas.
Hoje, uma vida foi perdida.
Nenhuma investigação séria poderá ignorar o contexto de sucateamento que há anos denunciamos. Nenhuma autoridade poderá afirmar que não foi alertada. Nenhum gestor poderá alegar desconhecimento diante da quantidade de documentos, manifestações e denúncias produzidas pelo movimento sindical ao longo dos últimos anos.
O SINDMETRO/PE cobra da Superintendência da CBTU Recife absoluta transparência na apuração dos fatos, com investigação rigorosa, independente e célere, para que sejam identificadas todas as circunstâncias que contribuíram para esta tragédia.
Cobramos também do Governo Raquel Lyra que abandone a postura irresponsável diante da deterioração do sistema metroferroviário que atende milhões de pernambucanos. A mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife não pode continuar sendo tratada como um problema secundário.
Dirigimos igualmente nossa cobrança ao Ministério da Casa Civil, ao Ministério das Cidades e ao Governo Federal. O abandono do Metrô do Recife não começou ontem. Trata-se de uma crise amplamente conhecida pelas autoridades e que há muito tempo demanda ações concretas, investimentos robustos e um plano efetivo de recuperação da infraestrutura e das condições de trabalho.
Não basta lamentar a morte de um trabalhador. É preciso assumir responsabilidades. É preciso agir. É preciso garantir que nenhuma outra família receba a notícia devastadora que hoje enluta toda a categoria metroviária.
A memória deste trabalhador exige mais do que homenagens. Exige providências. Exige justiça. Exige que os alertas feitos durante tantos anos deixem de ser ignorados. Desde 2018 a situação da nossa categoria e instituição se agravaram claramente.
O SINDMETRO/PE seguirá acompanhando as investigações, cobrando respostas e lutando para que a segurança dos trabalhadores e a recuperação do Metrô do Recife deixem de ser promessas e se transformem em prioridade absoluta.
Nenhuma vida pode ser o preço da negligência.
Direção Executiva – Sindmetro/PE
11 de junho de 2026




