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Expansão do MetrôBH esconde exploração do trabalho e violações de direitos

08.07.26 Destaques, Notícias Tags:, ,

A inauguração das estações Nova Suíça e Amazonas da Linha 2 do Metrô de Belo Horizonte, realizada na última sexta-feira (3), não pode apagar as graves denúncias que marcaram a execução das obras. Por trás da entrega do empreendimento, trabalhadores denunciam jornadas exaustivas, precarização das condições de trabalho, violações de direitos trabalhistas e um histórico de desrespeito às comunidades atingidas pelas intervenções.

De acordo com o Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindimetro-MG), que compõe a base da Fenametro, a concessionária MetrôBH acumula mais de cem infrações trabalhistas registradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Entre as irregularidades apontadas estão jornadas excessivas, trabalho aos finais de semana sem a devida compensação e descumprimento do Descanso Semanal Remunerado (DSR). Trabalhadores também relataram ter permanecido até 12 dias consecutivos em atividade para atender aos prazos estabelecidos pela empresa.

Segundo as denúncias, a pressão por produtividade está diretamente ligada ao modelo de concessão, que prevê bonificações financeiras pelo cumprimento antecipado das etapas da obra. Embora operada pela iniciativa privada, a expansão da Linha 2 é financiada majoritariamente com recursos públicos: R$ 2,8 bilhões do Governo Federal e R$ 440 milhões do Governo de Minas Gerais.

O Sindimetro-MG também denuncia que esse ambiente de pressão permanente levanta sérios questionamentos sobre as condições de segurança no trabalho. Em novembro de 2025, o trabalhador terceirizado Raimundo Ferreira morreu durante uma manutenção em uma subestação de energia no sistema metroviário, em meio às obras de revitalização. Para a entidade, o episódio reforça a necessidade de rigor na fiscalização das condições de trabalho e da responsabilização das empresas envolvidas.

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Além das denúncias trabalhistas, a expansão da Linha 2 também foi marcada por conflitos envolvendo mais de 300 famílias removidas na região Oeste de Belo Horizonte. Segundo o sindicato, a concessionária resistiu ao diálogo sobre o reassentamento das comunidades, e parte das famílias só conquistou melhores condições de indenização após mobilizações populares e articulação com parlamentares. Mesmo assim, dezenas de famílias permaneceram sem acordo e realizaram protestos durante a inauguração das novas estações.

A Fenametro manifesta solidariedade ao Sindimetro-MG e aos trabalhadores do MetrôBH. A ampliação da rede metroferroviária é fundamental para garantir mobilidade à população, mas não pode ocorrer às custas da superexploração da classe trabalhadora, da precarização das relações de trabalho e da violação de direitos das comunidades atingidas. O transporte público que defendemos deve ser construído com investimento público, respeito aos trabalhadores e compromisso com a dignidade humana.

Juntos na luta!