Notícias

Tarifa do metrô de BH sobe para R$ 6 e expõe o custo da privatização

03.07.26 Destaques, Notícias Tags:, , ,

A partir deste mês, quem utiliza o metrô de Belo Horizonte passou a pagar R$ 6,00 pela passagem. O reajuste já estava previsto no contrato de concessão firmado durante a privatização do sistema, que entregou a operação à iniciativa privada por um período de 30 anos.

O aumento desmonta um dos principais argumentos utilizados pelos defensores das privatizações no transporte público: a promessa de tarifas mais baixas, maior eficiência e melhores serviços. Na prática, a experiência mostra que, quando a lógica do lucro passa a orientar a gestão, o direito à mobilidade fica em segundo plano.

A elevação da tarifa em Belo Horizonte não é um caso isolado. Em diferentes estados brasileiros, a transferência da operação dos metrôs para empresas privadas tem significado aumento de custos para a população, pressão por redução de despesas e precarização das condições de trabalho, enquanto o interesse público é substituído pelos objetivos de rentabilidade das concessionárias.

O contraste pode ser visto no Piauí. Em Teresina, o metrô permanece sob gestão pública e opera com tarifa zero, garantindo acesso gratuito à população. O sistema também recebeu investimentos em modernização e ampliação, demonstrando que é possível fortalecer o transporte público sem transferi-lo à iniciativa privada e sem impor o aumento do custo da mobilidade aos trabalhadores e trabalhadoras.

Veja também  Dia Mundial da Saúde . Metroviários de São Paulo fizeram ato em defesa da vida

Os dois modelos revelam projetos distintos de cidade e de política pública. De um lado, a privatização, que transforma um direito social em oportunidade de negócio. De outro, a compreensão de que o transporte público deve ser tratado como um serviço essencial, financiado pelo Estado e voltado ao interesse coletivo.

A Fenametro reafirma sua posição em defesa de um sistema metroferroviário público, estatal, acessível e de qualidade. A mobilidade urbana não pode estar subordinada aos interesses do mercado. O transporte sobre trilhos é um direito da população e um instrumento fundamental para reduzir desigualdades, garantir o acesso à cidade e promover desenvolvimento com justiça social.