
A Federação Nacional dos Metroviários manifesta profunda solidariedade à usuária vítima de importunação sexual na estação Sé. Toda violência contra as mulheres é inaceitável e deve ser tratada com a máxima seriedade, rigor e responsabilidade.
É preciso esclarecer que o trabalhador citado na reportagem não integra o quadro efetivo do Metrô. Trata-se de funcionário terceirizado, vinculado à empresa Seal, contratada para prestar serviços à companhia. Essa distinção não é detalhe — ela revela um modelo de gestão que vem sendo denunciado há anos pelo movimento sindical.
A terceirização, adotada como política permanente, não é neutra. Ela faz parte de um projeto de desmonte que prioriza redução de custos em detrimento da qualidade do serviço e da segurança da população. Ao substituir concursos públicos por contratos precários, o Metrô fragiliza o atendimento, reduz o controle institucional e abre espaço para falhas graves de formação, acompanhamento e orientação.
Os metroviários concursados passam por formação técnica rigorosa e contínua. São preparados para lidar com situações de risco, emergências médicas, conflitos e atendimento humanizado ao público. Há inúmeros registros de trabalhadores que atuaram em partos, reanimações e salvamentos dentro das estações — resultado de treinamento adequado e compromisso com o serviço público.
A Federação e os sindicatos da categoria – com destaque para o Sindicato dos Metroviários de São Paulo – já protocolaram diversas manifestações denunciando problemas recorrentes envolvendo empresas terceirizadas. A lógica do contrato temporário, da rotatividade e da precarização corrói padrões de qualidade e compromete a segurança de usuários e trabalhadores.
A categoria metroviária não pode pagar pela sanha de desmonte conduzida pelo governo de Tarcísio de Freitas. A política de não realizar concursos públicos e ampliar terceirizações enfraquece o caráter público do Metrô e transfere à população os riscos dessa escolha.
Reafirmamos que o caminho responsável é a realização de concurso público, com contratação direta, formação qualificada e valorização dos trabalhadores. Segurança e respeito não são despesas: são dever do Estado.
A Fenametro seguirá vigilante, denunciando toda forma de precarização e defendendo um transporte público seguro, humano e verdadeiramente público.
Assédio é crime. Não se cale, denuncie. A omissão protege o agressor — a denúncia protege vidas. Procure um funcionário concursado do Metrô e garanta a proteção e segurança da vida das mulheres!
São Paulo, 26 de fevereiro de 2026.
Diretoria da Fenametro




