Em audiência, Fenametro denuncia privatização e reforça defesa de um projeto nacional
06.05.26 Destaques, Notícias
A luta em defesa do transporte público sobre trilhos e contra a privatização ganhou mais um capítulo importante em Pernambuco. Nesta terça-feira (5), o presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco e da Fenametro, Luiz Soares, participou de uma audiência pública realizada no Plenarinho da Câmara Municipal do Recife, por iniciativa da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB-PE).
O encontro reuniu trabalhadores e trabalhadoras de diversos setores para debater os desafios enfrentados pela classe trabalhadora em um cenário marcado por ataques a direitos, precarização das condições de trabalho e avanço de políticas que colocam em risco serviços públicos essenciais.
Durante sua fala, Luiz Soares foi enfático ao destacar que a construção de um projeto de país justo e democrático passa, necessariamente, pela centralidade do trabalho e pela garantia de direitos. Ele denunciou os impactos profundos da reforma trabalhista de 2017 e da reforma da Previdência de 2019, classificando-as como medidas que retiraram direitos e fragilizaram a proteção social no Brasil.
Segundo ele, o avanço do projeto neoliberal no país trouxe uma série de consequências graves para a classe trabalhadora, como a ampliação da terceirização, a precarização das relações de trabalho, o achatamento dos salários e o enfraquecimento das organizações sindicais. “Criou-se um cenário de maior conforto para o patronato, com aumento dos lucros às custas da exploração do trabalho humano, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais”, destacou.

Luiz Soares também reforçou que valorizar o trabalho digno deve ser um princípio central das políticas públicas, com garantia de salários justos, condições seguras e respeito aos trabalhadores em todas as áreas. Para ele, não há futuro possível em um país que não valoriza quem produz sua riqueza.
Ao abordar o tema da privatização, foi contundente ao denunciar a política do atual governo estadual de Pernambuco, que avança na direção do desmonte de serviços estratégicos, como o sistema metroferroviário. A entrega do transporte público à iniciativa privada representa não apenas um ataque aos trabalhadores, mas um prejuízo direto à população, com risco de aumento de tarifas, piora na qualidade do serviço e exclusão social.
A Fenametro reafirma que o metrô é um patrimônio do povo e deve cumprir sua função social, garantindo mobilidade urbana com qualidade, tarifas justas e integração com outras políticas públicas. Experiências de privatização em diferentes regiões têm demonstrado exatamente o contrário: mais custos para a população e menos direitos para os trabalhadores.
Em sua intervenção, Luiz Soares também destacou a importância de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na soberania e no fortalecimento da economia interna. “Investir na produção local, na indústria, na infraestrutura e nos serviços públicos é impulsionar o desenvolvimento e gerar empregos de qualidade”, afirmou. Ele ressaltou que políticas como moradia digna, ampliação de escolas integrais, fortalecimento do SUS, mobilidade urbana com transporte público de qualidade e preservação ambiental com participação popular são fundamentais para construir um país mais justo e democrático.
Por fim, reforçou que enfrentar as desigualdades sociais deve ser um compromisso permanente. “Não há democracia plena em um país onde milhões ainda não têm acesso ao básico, enquanto uma minoria concentra riqueza e privilégios. Reduzir as desigualdades é condição essencial para garantir dignidade e cidadania ao povo brasileiro”, concluiu.
A audiência pública também evidenciou a importância da organização da classe trabalhadora como instrumento central de resistência e transformação social. Para a Fenametro, a defesa do transporte público sobre trilhos está diretamente ligada à construção de um Brasil soberano, com desenvolvimento, justiça social e valorização do trabalho.
A mobilização segue. A luta é por direitos, por soberania e por um país que coloque o povo em primeiro lugar.




