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Linha 6 em SP expõe superexploração, jornadas 7×0 e calote em trabalhadores

08.07.26 Destaques, Notícias Tags:, , ,
Foto: Divulgação

A inauguração parcial da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, realizada pelo governador Tarcísio de Freitas no último dia 2 de julho, foi marcada por denúncias de graves violações de direitos trabalhistas nos canteiros de obras. Trabalhadores relataram jornadas consecutivas sem qualquer dia de descanso, em uma escala equivalente ao regime 7×0, além do não pagamento do vale-alimentação referente aos dias extras trabalhados.

As denúncias apontam que a aceleração das obras ocorreu às custas da intensificação da exploração da mão de obra. Segundo os relatos, equipes permaneceram por semanas seguidas trabalhando sem folgas para garantir a entrega do primeiro trecho da linha, inaugurado mesmo com estações ainda em fase de conclusão e conexões incompletas. A situação levanta questionamentos sobre o custo humano da antecipação da entrega da obra.

A Linha 6-Laranja, construída por meio de uma concessão à iniciativa privada, já havia sido alvo de denúncias ao longo dos últimos anos por condições precárias de trabalho nos canteiros, incluindo problemas relacionados à alimentação e às condições de segurança. Agora, somam-se acusações de descumprimento de direitos básicos, como o descanso semanal e o pagamento de benefícios prometidos aos trabalhadores.

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O caso também reacende o debate sobre os impactos da Reforma Trabalhista de 2017, que ampliou mecanismos de flexibilização das jornadas de trabalho. Na prática, trabalhadores denunciam que a relação desigual entre empresas e empregados dificulta a recusa a jornadas exaustivas, especialmente em grandes obras marcadas por forte pressão por produtividade e cumprimento de cronogramas.

Para a Fenametro, a situação reforça que o modelo de privatização do transporte público tem sido acompanhado pela precarização das relações de trabalho. Enquanto governos apresentam inaugurações como demonstração de eficiência da gestão privada, denúncias de superexploração, intensificação do ritmo de trabalho e desrespeito aos direitos trabalhistas revelam quem paga a conta para garantir a entrega das obras.

A Federação Nacional dos Metroferroviários defende que a expansão do transporte público deve estar associada à valorização dos trabalhadores, ao respeito às normas de saúde e segurança e à garantia de condições dignas de trabalho. Não é aceitável que grandes obras sejam concluídas à custa de jornadas desumanas, supressão do descanso e descumprimento de direitos fundamentais da classe trabalhadora.