
O transporte público pode ser gratuito, moderno, eficiente e pensado para quem mais precisa. A experiência de Teresina, no Piauí, mostra que isso não é discurso distante nem promessa impossível: é uma política pública que já está funcionando.
Desde janeiro de 2025, o metrô de Teresina opera com tarifa zero para toda a população, tornando o Piauí o primeiro estado brasileiro a oferecer transporte metroviário gratuito em sua capital. Durante visita às obras de modernização do sistema, nesta quarta-feira (9), o presidente Lula afirmou que a experiência pode servir de exemplo para todo o Brasil.
Mais do que eliminar a cobrança da passagem, a iniciativa está associada à modernização e expansão da rede. A primeira etapa das obras do metrô de Teresina está 90% concluída, com 13,5 quilômetros de extensão e três novas estações. O projeto recebeu mais de R$ 680 milhões em investimentos do Governo Federal, por meio do Ministério das Cidades e com recursos do FGTS.
É exatamente esse caminho que precisa entrar no centro do debate nacional: transporte não é mercadoria, é direito. Quando o poder público assume a responsabilidade pelo sistema, é possível combinar investimento, planejamento, expansão da rede e acesso universal. A tarifa zero reduz uma das principais barreiras à mobilidade e amplia o direito de trabalhadores, estudantes, idosos e famílias de baixa renda à cidade.
Para a Fenametro, a experiência piauiense reforça uma convicção que os metroviários e ferroviários defendem há anos: o futuro do transporte brasileiro passa pelo fortalecimento do serviço público, e não pela entrega de metrôs e ferrovias à iniciativa privada. Enquanto governos insistem em concessões e privatizações, Teresina apresenta uma alternativa concreta: colocar o transporte sob responsabilidade pública e fazê-lo funcionar para a população.
A experiência também desmonta o discurso de que transporte público de qualidade e acessível seria um privilégio de países ricos ou uma realidade impossível no Brasil. Como afirmou Lula, não é preciso buscar exemplos fora do país para saber que dá certo. É preciso vontade política, investimento público e planejamento.Tarifa zero, transporte público de qualidade e expansão da rede são pautas que precisam ganhar as ruas. O que está sendo construído em Teresina pode e deve alimentar uma agenda nacional de mobilidade urbana, com metrôs, trens e ônibus públicos, integrados e acessíveis.
A Fenametro defende essa luta: transporte público é direito, não negócio. Teresina mostra que é possível. Agora, é preciso ampliar esse debate e transformar experiências concretas em política pública para todo o Brasil.




