Uma pesquisa Datafolha publicada pela Folha de S.Paulo mostra que aumentou a parcela da população contrária à privatização do Metrô e dos trens em São Paulo. Em 2023, 48% dos entrevistados eram contra a privatização do Metrô. Em 2026, esse percentual chegou a 56%. No caso dos trens, a rejeição passou de 49% para 53%.
Os números revelam uma mudança importante na percepção da população: quanto mais a população experimenta os efeitos das concessões e privatizações, maior é a rejeição à entrega de serviços públicos essenciais à iniciativa privada.
Em 2023, os trabalhadores foram às ruas
Em 2023, enquanto o governo Tarcísio de Freitas acelerava seu projeto de privatização do patrimônio público paulista, os trabalhadores e trabalhadoras do Metrô, da CPTM e da Sabesp não ficaram calados.
Foram realizadas duas greves unificadas históricas, em 3 de outubro e 28 de novembro, reunindo metroviários, ferroviários e trabalhadores do saneamento em paralisações de 24 horas.
A luta nunca foi apenas pela defesa dos empregos. Foi — e continua sendo — uma luta em defesa do serviço público, da qualidade do atendimento, da segurança dos trabalhadores e usuários e do direito da população a serviços essenciais que não sejam submetidos à lógica do lucro.
Naquele momento, os trabalhadores também defenderam a realização de um plebiscito popular para que a população pudesse decidir sobre o futuro do patrimônio público. A proposta foi ignorada pelo governo e pela maioria dos parlamentares que apoiaram as privatizações.
Agora, os resultados da pesquisa mostram que a população não esqueceu.
A população está sentindo na pele os efeitos da privatização
A experiência dos últimos anos colocou à prova a promessa de que a iniciativa privada seria sinônimo de eficiência, qualidade e modernização.
No transporte sobre trilhos, o que se vê é uma sequência de falhas, panes, descarrilamentos, superlotação e problemas operacionais.
Em 2026, as falhas nas linhas de trens e metrôs cresceram 27% em relação ao ano anterior, com mais de uma ocorrência por dia, segundo levantamento citado no material.
A Linha 7-Rubi, operada pela concessionária TIC Trens, registrou 21 falhas apenas no primeiro semestre de 2026. Enquanto isso, trabalhadores denunciam a falta de funcionários e as condições cada vez mais precárias de operação.
Para quem sempre alertou sobre os riscos da privatização, o cenário não é surpresa. Quando o serviço público é transformado em negócio, a prioridade deixa de ser o direito da população e passa a ser a rentabilidade da empresa.
Na Sabesp, a conta também chega para a população
Os efeitos da privatização também aparecem no saneamento.
Segundo os dados apresentados no material, as reclamações registradas no Procon-SP mais que dobraram, passando de 8,9 mil em 2023 para mais de 25,2 mil em 2025.
Ao mesmo tempo em que a população enfrenta aumentos nas tarifas e problemas no abastecimento, a empresa registra lucros bilionários.
A lógica é conhecida: para a população, tarifas mais altas e serviços cada vez mais questionados; para os acionistas, dividendos e lucros.
O resultado é a transformação de um direito essencial em fonte de remuneração para investidores.
Nós avisamos!
Em 2023, os trabalhadores que lutaram contra as privatizações foram chamados de “radicais” e “politiqueiros”. O governo prometia que a entrega do patrimônio público traria eficiência, modernização e melhores serviços.
A realidade vivida pela população, porém, é outra.
O aumento das falhas no transporte, os problemas operacionais, as reclamações no saneamento e o avanço das tarifas mostram que as promessas feitas durante o processo de privatização precisam ser cobradas.
A Fenametro tem orgulho de ter estado na linha de frente dessa luta.
Cada assembleia, cada mobilização, cada panfletagem nas estações e cada dia de greve foram atos de defesa do serviço público e dos direitos da população.
E a luta continua.
A pesquisa confirma que a população está percebendo aquilo que os trabalhadores já denunciavam: serviço público não é mercadoria.
A Fenametro seguirá mobilizada contra novas privatizações, em defesa do transporte público estatal, da valorização dos trabalhadores e pela retomada do controle público sobre serviços essenciais.
Nós avisamos. Nós lutamos. E continuaremos lutando.
Porque transporte público é direito. Água é direito. Serviço público não é negócio.




