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A Trivia falha, a CPTM socorre e a conta fica para o povo

15.09.26 Destaques, Notícias Tags:, , ,

Privatiza que melhora. Privatiza que economiza. Privatiza que entrega eficiência. Esse é o discurso que o governo Tarcísio repete para justificar a entrega do patrimônio público à iniciativa privada. Mas, quando a realidade bate à porta, quem aparece para apagar o incêndio é o Estado — e quem paga a conta é a população.

Foi exatamente o que aconteceu nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A Trivia Trens assumiu a operação dos três ramais em julho de 2026. Três dias depois, uma grave ocorrência na Linha 12-Safira, com princípio de incêndio, paralisações e passageiros desembarcando nos trilhos, provocou uma crise operacional. A Artesp determinou, então, que a CPTM retomasse temporariamente a operação das linhas por até 90 dias.

É impossível ignorar a contradição: a CPTM, empresa pública que durante décadas garantiu a operação desses ramais, foi retirada para dar lugar à concessionária privada. Quando a operação entrou em crise, foi justamente a estatal que precisou voltar para garantir que o serviço não parasse.

Mas a história fica ainda mais absurda.

Em 4 de setembro, CPTM e Trivia assinaram um termo aditivo prevendo até R$ 24,38 milhões em ressarcimentos relacionados aos custos da operação durante o período de retomada temporária. O documento contempla serviços como limpeza, vigilância, manutenção de elevadores e escadas rolantes, coleta de resíduos, água, esgoto e energia elétrica.

É preciso deixar claro: o documento não diz que a Trivia recebeu R$ 24 milhões como indenização pelo episódio de falha operacional. Trata-se de um ressarcimento previsto no convênio para despesas e serviços relacionados à operação. Mas a pergunta política permanece: por que a estatal precisa voltar para garantir o funcionamento do serviço e, ao mesmo tempo, assumir custos que serão ressarcidos à concessionária?

Enquanto isso, quem pagou pelo caos?

Pagou o trabalhador que chegou atrasado ao emprego. Pagou a trabalhadora que perdeu horas no transporte. Pagou quem perdeu uma consulta médica, uma aula, uma entrevista de emprego ou simplesmente ficou preso no deslocamento. Pagou a cidade, com mais trânsito e poluição. Pagou o poder público, que precisou mobilizar estrutura, trabalhadores e o PAESE para enfrentar a crise.

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E quem será ressarcido por esses prejuízos?

Essa é a lógica perversa das privatizações que o governo de São Paulo insiste em vender como solução: o lucro é privado, mas o risco e o prejuízo são socializados.

A CPTM precisou ser remobilizada para assumir novamente uma operação que conhecia e realizava há décadas. Trabalhadores, equipamentos, estrutura e conhecimento técnico tiveram de ser colocados novamente à disposição. Nada disso acontece de graça.

E aqui está o ponto que o governo precisa responder: qual é a economia para o Estado quando a empresa pública continua sendo indispensável como plano de emergência e ainda precisa arcar com os custos da retomada?

A Fenametro não aceita que empresas públicas sejam sucateadas, desvalorizadas e apresentadas como ineficientes para depois serem utilizadas como bombeiros das concessões privadas.

O caso da Trivia é mais um alerta sobre o modelo de privatização promovido pelo governo Tarcísio. Não basta entregar uma linha para uma empresa privada e chamar isso de eficiência. É preciso perguntar quem assume o risco, quem garante o serviço, quem paga quando dá errado e quem fica com o lucro quando dá certo.

Porque transporte público não pode funcionar assim: quando dá lucro, é negócio privado; quando dá problema, chama o Estado.

A Fenametro defende o caminho oposto: Metrô, CPTM e demais sistemas de transporte públicos, fortes, integrados, bem financiados e administrados em função do interesse da população — não da remuneração de acionistas.

O povo paulista não precisa de mais privatização. Precisa de transporte público de qualidade, trabalhadores valorizados e um governo que pare de entregar o patrimônio público.

Chega de privatizar o lucro e socializar o prejuízo! Transporte público é direito, não mercadoria!